O cheiro de madressilva adentrou meus sonhos como a água do mar permeia a areia da praia. Aquele odor trouxe recordações ruins. A embarcação que cruzara tanto os mares de Kul Tiras afundara, e levara consigo diversas outras barcaças menores. Vertigo fora amaldiçoado por uma bruxa do mar, uma sereia, uma mulher no convés.
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Heloísa era uma mulher forte e esteve a bordo do Vertigo por onze meses. A relutância inicial para admití-la era generalizada. A crença do azar que elas, mulheres à bordo, traziam estava tão enraízada que os homens preferiam ficar sem timoneiro. O Capitão era um excelente navegador, mas se limitava a dar ordens, traçar rotas e planejar. Por falta de opção, veio a bordo a mulher. Excelente combatente, timoneira, cozinheira e tecelã, porém mulher. E a partir de sua entrada tudo começou a dar muito errado. Vários homens adoeçeram, muitos ataques mal-sucedidos, diversas mortes em combate. A tripulação clamava que a culpa era da desgraçada. O Capitão cedeu aos manifestos para que o motim não se instaurasse. Heloísa, fora abandonada em uma ilha semi-deserta com dez balas, uma pistola, um sabre e água para cinco dias. A mulher tomada por um transe profético proferiu palavras que martelaram a cabeça de todos tripulantes do Vertigo por muito tempo. Ao Vertigo, foi anunciado que afundaria em combate no meio da tormenta devido as ambições do Capitão. Dois anos depois soubemos que ela fora resgatada quase morta, e casara com um militar aposentado e teve dois filhos. Somente Facacega, irmão dela, eu e o Capitão não esquemos a profecia pois além do destino da embarcação fora revelado a época da futura morte de seu irmão, o sacrifício que eu teria que fazer para conquistar o que era meu e os meios que o Capitão alcançaria seus objetivos. Após isto, renunciei ao nome de minha família e passei a ser conhecido como Scorpio, ou vulgarmente, como Escorpião.
Facacega morreu em meio a tormenta que afundara o Vertigo, cumprindo duas das quatro profecias da bruxa. O Capitão percebendo tudo aquilo me fez prometer que levaria a mensagem que roubamos dos trolls aos militares e dar procedência à anistia que a tripulação merecia. Então era verdade que o Interceptador existia ? Minhas lembranças começaram a misturar em um turbilhão e não sabia se o responsável era o tornado de minha memória ou o álcool em minha cabeça.
Lembrei da época um pouco anterior à aquisição do Vertigo. Ainda navegávamos no Cólera e eu começava meu treinamento de acrobata. Nessa época começávamos a alimentar o ódio aos militares da quarta fragata de Kul Tiras. Arrogantes bastardos. Em um combate que os militares atacaram durante a noite fomos capturados e saqueados. Nessa noite o Capitão pronunciou sua frase que foi lembrada por muitos anos pelos piratas: -Até nós hasteamos a bandeira negra pra anunciar nossa chegada.
O cheiro de madressilva atiçou meu olfato novamente. Acordei sonolento e embriagado. Desci de meu leito, desproporcional para meu tamanho e caminhei até a porta. Saí no corredor da estalagem e caminhei até a casa de banho, que emanava o cheiro. Uma moçoila de pouco mais de quinze ou dezesseis anos lavava seu corpo com um sabão perfumado. Esfreguei os olhos e subi tropeçando em um degrau próximo ao saguão. Não havia ninguém acordado, provavelmente ainda estava de noite. Me servi de uma bebida forte desconhecida e um pedaço de pão muito duro. Mergulhava o pão no líquido para amolecê-lo e comia vagarosamente enquanto repassava, tudo que eu devia fazer, em meus pensamentos. Me preparava para dar a quarta mordida quando um sino começou a tocar. Olhei pela janela e ainda estava muito escuro para discernir qualquer coisa. E a chuva não tinha dado trégua. Repentinamente explosões romperam o silêncio da madrugada. No mínimo vinte, quase sequenciais. O sino se calou por alguns momentos mas outros começaram a bater. A cidade estava sobre ataque.
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Facacega morreu em meio a tormenta que afundara o Vertigo, cumprindo duas das quatro profecias da bruxa. O Capitão percebendo tudo aquilo me fez prometer que levaria a mensagem que roubamos dos trolls aos militares e dar procedência à anistia que a tripulação merecia. Então era verdade que o Interceptador existia ? Minhas lembranças começaram a misturar em um turbilhão e não sabia se o responsável era o tornado de minha memória ou o álcool em minha cabeça.
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Lembrei da época um pouco anterior à aquisição do Vertigo. Ainda navegávamos no Cólera e eu começava meu treinamento de acrobata. Nessa época começávamos a alimentar o ódio aos militares da quarta fragata de Kul Tiras. Arrogantes bastardos. Em um combate que os militares atacaram durante a noite fomos capturados e saqueados. Nessa noite o Capitão pronunciou sua frase que foi lembrada por muitos anos pelos piratas: -Até nós hasteamos a bandeira negra pra anunciar nossa chegada.
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O cheiro de madressilva atiçou meu olfato novamente. Acordei sonolento e embriagado. Desci de meu leito, desproporcional para meu tamanho e caminhei até a porta. Saí no corredor da estalagem e caminhei até a casa de banho, que emanava o cheiro. Uma moçoila de pouco mais de quinze ou dezesseis anos lavava seu corpo com um sabão perfumado. Esfreguei os olhos e subi tropeçando em um degrau próximo ao saguão. Não havia ninguém acordado, provavelmente ainda estava de noite. Me servi de uma bebida forte desconhecida e um pedaço de pão muito duro. Mergulhava o pão no líquido para amolecê-lo e comia vagarosamente enquanto repassava, tudo que eu devia fazer, em meus pensamentos. Me preparava para dar a quarta mordida quando um sino começou a tocar. Olhei pela janela e ainda estava muito escuro para discernir qualquer coisa. E a chuva não tinha dado trégua. Repentinamente explosões romperam o silêncio da madrugada. No mínimo vinte, quase sequenciais. O sino se calou por alguns momentos mas outros começaram a bater. A cidade estava sobre ataque.
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Vesti minha armadura e afivelei o sabre próximo ao cinto. A mochila estava jogada embaixo da cama e abaixei para pegá-la quando inúmeras explosões atingiram a cidade novamente. Guardei todas ferramentas e saí da taverna. O sol estava nascendo no horizonte e pude observar que uma forma monstruosa navegava à um quarto de milha da ilha. Era o flagelo dos mares nessa guerra. Um Juggernault.

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