terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dia três, parte dois

Corri para o canhão principal da cidade. Mesmo sob chuva percebi que diversos focos de incêndios se alastravam pela cidade, principalmente nas palhoças mais afastadas. Encontrei a maior parte do grupo próximo ao BFG ou dentro dele. Me apressei para saber exatamente o que estava acontecendo e o que fariam a respeito. Erick e Thandor já tomavam instruções de Guimarães quando o resto do grupo reuniu. Discutiam uma expedição até uma refinaria de pólvora próximo a uma mina de sais do pó negro. Fiquei alarmado ao saber que o último tiro do canhão monstruoso havia ocorrido no dia anterior. E eram necessários no mínimo dez barris do pó para operá-lo. Pelo que entendi esse Juggernault já patrulhava os arredores de Drassen e que a primeira expedição de trolls que encontrei ao chegar à ilha provavelmente viera dele. De alguma forma eles sabiam que o BFG só tinha mais um disparo e navegaram em assalto à ilha ao surgir a oportunidade. Atracariam em menos de seis horas e se não fossem impedidos Drassen cairia.



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A balbúrdia era generalizada em Drassen. Os homens saíram de dentro da construção que abrigava o canhão de medidas gigantescas combinando os pormenores da missão. Repentinamente três explosões ocorreram próximas ao BFG. Duas na construção que serve de suporte ao canhão. Uma atingiu o general Guimarães, que desmaiou em meio à dor e sangue. Socorremos o homem que demorou alguns minutos para acordar. Felizmente ele só perdeu um braço.



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A carroça corria pela ruas de pedras quadriculadas enquanto lembrei as últimas palavras do general da Aliança. Erick, que era capitão, agora estava no comando da cidade. Em época de guerra, Drassen seguia um regime ditatorial tendo o militar de posto mais alto o comando. Era esse tipo de poder e influência que eu precisava.


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O navio de Nill e Jack zarpou em meio à investida dos trolls. Navegando pudemos observar a monstruosidade que era o Juggernaut em alto-mar. Sua estrutura aterrorizadora assemelhava a uma fortaleza móvel. Inúmeros canhões projetavam das laterias do navio, várias placas de metal protegiam as partes mais importantes da embarcação e sua imensidão abrigava espaço para centenas, talvez milhares de inimigos. Uma das jangadas dos trolls começou a nos perseguir. O vento estava à boreste inutilizando as velas na fuga. Preparamos para o combate iminente. Direcionei o pequeno canhão fazendo o máximo de esforço para que a chuva não molhasse a pólvora. Aloquei a munição no cilindro de ferro forjado e disparei. O balaço atingiu a vante da jangada, mas não inibiu o avanço dela. Disparei as últimas duas balas procurando causar o maior estrago possível mas não foi suficiente. Os homens, em uma tentativa desesperada, lançaram explosivos em direção à embarcação que colidiria com a nossa em pouco tempo. Finalmente, um dos explosivos atingiu o casco onde um dos projéteis acertara rompendo a madeira formidavelmente, impossibilitando que aproximassem demais. O timoneiro desviou o barco à sotavento e conseguimos fugir.


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Avistamos a ilha após algumas horas de navegação. Jack, Nill, Rafael e eu ficamos no barco para guarnercê-lo. Habermman, Erick, Thandör, Azevedo e Valdez foram a ilha em busca da pólvora.
Vários horas se passaram. Raramente ouvíamos alguns disparos. Os conjurados foram para dentro do navio enquanto Nill me contava parte de sua história. Conversamos basicamente sobre os mares que velejamos, onde ele estudou navegação, quando eu aprendi a disparar canhões. Assim como eu previ a maioria das afirmações eram de menor importância, éramos evasivos as questões mais importantes e ninguém presionava respostas evitando que o mesmo acontecesse consigo.


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Sentei na ponta da proa e olhava o mar agitado. Aqui não chovia. Lembrei de minha família e minha promessa. Tudo que eu mais queria era poder abraçar minha família. Estive tão próximo de conseguir todo dinheiro que precisava. Tão próximo. Vertigo levou consigo sete anos de saques. Sete anos ao lado do Capitão Rogers, o Vela Negra. Sua bandeira assombrou vários mares. Quando a flâmula negra com uma caveira, uma pistola, um sabre e uma ampulheta era hasteada a maioria das embarcações desistia da fuga e do combate. Saqueávamos sem derramamento de sangue. As que apresentavam resistência não tinham um destino tão pacífico.
Diferentemente da maioria dos piratas nosso vínculo de lealdade ao capitão não vinha somente do sucesso nos saques, habilidade de navegação, estratégia ou combate. Mas da confiança. Um pirata do Coléra sempre seria uma pirata do Coléra. Um pirata do Vertigo, idem.


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Os disparos começaram a ficar mais frequentes na ilha. Não confiava da maioria dos homens que me acompanhavam na campanha mas gostava deles. Alguns eram homens muito bons, outros donos de seu destino e os demais estavam intimamente ligado à alguma busca. O interesse de alguns eram evidentes, de outros nem tanto. Estava ligeiramente apreensivo em relação aos que desceram na ilha. Resolvi parar de me preocupar e entrei na cabine para descansar. Os rostos de meus irmãos vieram à mente. Eu prometi a eles que voltaria a Bolarus. E eu não iria morrer nesses mares.


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O anão, os dois elfos e um homem vieram à bordo. Traziam vários barris de pólvora mas um homem estava faltando. Habberman estava morto.

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